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Mostrando postagens de 2026

A (in)completude do outro?

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Uma determinada foto me chamou muito a atenção. Vi no status do WhatsApp, há um tempo, e me chamou a atenção pois eu sabia que tinha um significado para aquela pessoa que estava postando a foto. E, há algumas semanas, recebi novamente a foto através do grupo do Telegram “Psicanálise e você”. E o dizer da foto vinha com: "A pessoa que te aconselha não é perfeita e tem seus próprios problemas. Mas talvez ela te dê a peça que está faltando em você". E, nos debates (sempre muito bons!) entre os membros do grupo, surgiram algumas questões que gostaria de dividir com vocês, aqui, nos textos. A foto é isso, autoexplicativa: um está bastante incompleto. Faltam muitas partes dele. Mas, ainda assim, ele oferece uma peça (que, para mim, parece dele mesmo, da sua própria incompletude) para o outro, que tem apenas um único espaço vazio. Este espaço vazio que está na altura do coração. Me lembra do mito do Kyron, do Curador Ferido.  Um membro do grupo do Telegram acredita que nem sempre as...

Tudo novo

Novos ciclos, novos começos são sempre muito bons, pois parecem uma folha em branco. Aquela agenda nova. Ou aquele caderno com todas as folhas em branco, prontas para serem escritas. Um caderno pronto pra virar diário. De um lado, tem o entusiasmo de tudo branquinho para poder iniciar. Seja uma escrita, uma pintura, um recorte, o que desejar fazer, ali, naquele espaço, naquela possibilidade mil. E, por outro, o incômodo das múltiplas possibilidades. A incerteza, a angústia de não-ter-o-que-fazer. Quem que diz o que eu tenho que fazer aqui? Assim é a vida. As possibilidades de escolhas. O não-gabarito. A voz interna - tão difícil de ser ouvida - que dirá o que fazer.  Toda nova possibilidade de caminho, na vida, começa quando você está de frente para aquilo que tem que iniciar. Para o seu caderno, em branco, novo. Caderno pode ser qualquer coisa. Até uma relação, ou um lugar. O que fazer com estes sentimentos contraditórios? O que vai definir a sua primeira ação? A paralisação é tam...

O caminho da individuação

O ser humano é o único que habita a tensão entre duas naturezas. Ele é a manifestação do agora, mas é também um constante vir-a-ser no tempo. Existe nele a potência da metamorfose , a capacidade de expandir os limites da alma e realizar o que está latente em sua estrutura psíquica. Através do alargamento da consciência e do exercício do desejo, o indivíduo torna-se capaz de confrontar seus próprios conteúdos internos. Conhecer-se não é apenas um ato intelectual, mas um processo de iluminar as sombras para transformar complexos, emoções e ações. O objetivo não é meramente o conforto, mas a totalidade  - o encontro com o centro da própria psique. Toda mudança genuína gira em torno de um eixo: o desabrochar do Si-mesmo (Self) . É o movimento de despertar o Ego para que ele deixe de ser o senhor absoluto e passe a servir à verdade do seu ser essencial. É o chamado para que você retire as máscaras e assuma sua face legítima perante a vida. Nesta jornada em direção à luz da consciência,...

A escrita como alquimia da Alma: o caminho para o Si-Mesmo

Escrever é um ato terapêutico. Pode ser uma carta para você mesmo, um bilhete para outra pessoa ou apenas anotações livres para si mesmo. E, claro, existe aquele caderninho de sonhos ao lado da cama - um verdadeiro portal para as mensagens que o nosso inconsciente nos envia enquanto dormimos. Quando falo em escrever, não me refiro a simplesmente "digitar" em telas e teclados. Refiro-me ao ato físico de segurar a caneta e rabiscar o papel, exatamente como faziam os nossos antepassados. Esse movimento manual é quase um ritual : é o corpo ajudando a trazer para o mundo visível o que antes estava guardado nas profundezas da nossa mente. Revelando o que está na sombra A escrita nos salva de nós mesmos porque nos permite olhar para aquilo que, muitas vezes, evitamos no dia a dia. É no papel que depositamos os nossos medos, dores e segredos - aquilo que na Psicologia  Junguiana chamamos de  sombra . Enquanto apenas pensamos, o conteúdo pode parecer assustador ou confuso. Mas, quand...

O invisível diante de nós

Existe algo que, mesmo depois de anos de caminhada, ainda me toca profundamente no cotidiano: a nossa capacidade de não enxergar. Hoje, usamos o termo " pessoas em situação de rua ", e não há definição mais precisa. A rua é lugar de passagem, de fluxo, de movimento. Ninguém " mora " na rua; a pessoa está, temporariamente (ou tragicamente), detida nela. No entanto, essas pessoas estão em toda parte: na porta do nosso prédio, ao lado do restaurante da moda, sob a marquise da loja onde compramos nossos desejos. A invisibilidade do "não-Outro" O que me espanta é a invisibilidade social . Para a maioria de nós, o mundo se resume ao " eu " ou ao " meu ": o meu celular, a minha rede social, o meu colega. A pessoa na calçada torna-se o não-outro . Passamos por cima de vidas como se fossem obstáculos geográficos. Não vemos que aquele papelão é, na verdade, um armário, uma cama, uma mesa, um refúgio. Ignoramos que ali existe fome, silêncio e, aci...

O silêncio e o verbo

O silêncio, em geral, nosso e do outro, é bastante protetor. A gente se protege no silêncio. Por outro lado, em algumas situações, é preciso que nos coloquemos, que falemos, que seja verbalizado (em verbo mesmo), para que não adoeçamos, e nem para que alguém nos engula. Ou seja: tanto as palavras quanto o silêncio são essenciais no nosso dia-a-dia. Cabe a cada um de nós saber a hora de um e a hora do outro. O silêncio pode até ser lido como o "sair". A hora de estar e a hora de ir. É preciso silenciar quando estamos com o outro que não ouve, que não recebe (ou não quer), que não aprende, que não troca. Aquelas pessoas que expõem os seus pensamentos de forma ríspida, agressiva, como "donos do mundo", ou "donos do outro", merecem o nosso silêncio. Pessoas que sabem tudo e demais sobre o mundo, sobre as coisas, sobre as pessoas, não abrem o espaço para a troca. Para estas, o nosso silêncio. No entanto, é importante falar quando os nossos limites são ultrapass...

A vida perdeu o sentido porque deixamos de sentir

Nós nos orgulhamos da nossa racionalidade. Acreditamos que o ápice da evolução humana é o intelecto, essa máquina poderosa capaz de criar aviões, moedas e diagnósticos precisos. O   p ensamento   é, de fato, uma função brilhante da mente: ele organiza, analisa e constrói. O problema começa quando transformamos o pensamento em um tirano. Na Psicologia Junguiana, dizemos que o equilíbrio psíquico depende de quatro funções: Pensamento, Sentimento, Sensação e Intuição. Mas a nossa cultura nos ensina a hipertrofiar o pensar e atrofiar o  se ntir . O Pensamento que nos Aprisiona Muitas vezes, o que chamamos de " pensar " não é mais uma função criativa, mas sim uma  ruminação . É a mente girando, presa em um labirinto de " e se? " e preocupações. Tentamos antecipar desastres para nos sentirmos seguros, mas o preço dessa " segurança " é o esgotamento. Sabe aquela frase:  "Pensar no pior é melhor, porque o que vier é lucro" ? Isso é uma armadilha da consc...

Ansiedade: um chamado do seu mundo interior

Sentir-se ansioso é, antes de tudo, uma reação natural da nossa psique e do nosso corpo. Na visão junguiana, a ansiedade não é uma inimiga ou uma doença, mas sim um sinal de alerta . É como se uma parte de você que está no " escuro " (o seu inconsciente) estivesse tentando enviar uma mensagem urgente para a sua consciência. Essa sensação surge quando algo - seja no mundo externo (relacionamentos, trabalho, família, ambiente em que vive) ou no interno (pensamentos, sentimentos, sensações e memórias) - retira você do seu eixo de equilíbrio. Cada pessoa vive isso de forma única, pois a ansiedade fala a língua da sua história pessoal. O "Lutador" em alerta A ansiedade é uma resposta de sobrevivência, o famoso mecanismo de " luta ou fuga ". Mas, no mundo moderno, raramente enfrentamos leões reais; nossos " leões " são as incertezas e os medos do futuro. Tentar eliminar a ansiedade por completo seria como tentar apagar uma parte da sua própria natureza...

O equilíbrio no furacão: como encontrar o seu centro

Todos nós enfrentamos dias em que a vida parece um mar revolto. Pressão no trabalho, ruídos nos relacionamentos ou sustos com a saúde nos fazem sentir que perdemos o chão. Nessas horas, é comum sermos invadidos por uma sensação de impotência. O que realmente buscamos, no fundo, não é apenas que o problema desapareça, mas sim a capacidade da gente de atravessá-lo sem nos perdermos de nós mesmos. Manter a serenidade quando tudo ao redor parece caótico é um desafio, mas é também uma oportunidade de autoconhecimento. Veja como você pode exercitar esse olhar: 1. Dê um passo atrás (seja o observador) Quando estamos " dentro " do problema, as emoções nos cegam. Se puder se afastar fisicamente por um momento, faça isso. Mas o exercício mais poderoso é o distanciamento interno . Imagine que sua vida é um filme e você, por um instante, sentou na poltrona do cinema para assistir à cena. Ao olhar de fora, você deixa de ser " a vítima da situação " para se tornar o observador do...

O despertar da Consciência: integrando a Luz e a Sombra no cotidiano

É inerente à jornada humana atravessar períodos de retração e pessimismo. Muitas vezes, nos vemos capturados pelo arquétipo da vítima ou paralisados por uma visão unilateral que enxerga apenas o " sombrio " da existência. Quando o ego se perde em pensamentos destrutivos, a psique projeta no mundo externo o deserto que sente internamente, estreitando nossa percepção e nos afastando da totalidade. Abaixo, seguem alguns exercícios de consciência para cultivar uma atitude simbólica e integradora diante da vida. Recomendo que dedique-se a um de cada vez, permitindo que a nova atitude dialogue com seu inconsciente, até que ela se torne um novo eixo de sustentação. O objetivo não é que um " otimismo cego " domine você, mas que a função transcendente atue, permitindo que a consciência e os conteúdos inconscientes trabalhem juntos na busca por um sentido maior. 1. Cultive a auto indagação reflexiva O diálogo interno é a base da autoconsciência. Quando fazemos perguntas a pa...

O caminho de volta ao Centro: diálogo com a Alma e integração

[Escrito em 25 de novembro de 2025] A jornada humana é atravessada por momentos de desorientação, onde somos confrontados por conteúdos do inconsciente que emergem com muita força. Quando nos vemos tomados por afetos intensos e angústias persistentes, não estamos apenas diante de um " problema ", mas sim de um estado de dissociação temporária , onde o Ego perde sua ancoragem no Self (o centro da totalidade psíquica). Abaixo, como se manifesta essa queda no abismo interior: A Constelação dos Complexos e a Sombra A invasão das personificações :  você se sente habitado por vozes críticas e persistentes - são os complexos autônomos que assumem a regência da consciência, gerando um estado de ansiedade que paralisa o fluxo vital. O Ego dominado pela Sombra :  há uma sensação de ser " possuído " por estados de humor e impulsos que você não reconhece como seus. O Ego torna-se um espectador passivo de sua própria queda, sentindo-se um hospedeiro de afetos arcaicos. A noite ...

O movimento da Psique: da sobrevivência à Individuação

[Escrito em 25 de novembro de 2025] Para a psicologia analítica, a " hierarquia " de Maslow não descreve necessidades estáticas, mas sim o terreno sobre o qual o Ego caminha. Não se trata de uma linha de chegada, mas de um processo contínuo e constante de confronto e integração entre o consciente e o inconsciente, do nascimento até o momento em que a vida se encerra. 1. Necessidades Fisiológicas (Maslow) -  O Chão da Psique (Jung) Aqui residem os nossos instintos mais arcaicos. O corpo, para Jung, é o primeiro " lugar " da psique. A satisfação das necessidades básicas (nutrição, abrigo, sono) é o que permite ao Ego ancorar-se na realidade concreta. Sem essa base, a energia psíquica ( libido ) fica dispersa, impossibilitando o trabalho simbólico de autodescoberta. 2. Necessidades de Segurança (Maslow) - A Estruturação do Recipiente (Jung) Uma vez garantida a sobrevivência, surge o impulso de criar um " recipiente " seguro para a existência. Jung diria que ...

O chamado da dor: uma perspectiva da Psicologia Analítica

[Escrito em 25 de novembro de 2025] Diariamente, somos atravessados por eventos que agitam as águas do nosso inconsciente. Perdas, traumas e frustrações não são apenas " problemas a serem resolvidos ", mas manifestações da nossa psique tentando restabelecer o equilíbrio. O sofrimento - seja ele ansiedade, depressão ou compulsão - é, muitas vezes, o grito de um Self que foi negligenciado. A psicoterapia de orientação junguiana oferece o espaço para essa escuta, mas o trabalho com a própria alma continua no dia-a-dia, no cotidiano. Abaixo, seguem reflexões para o seu processo de tornar-se quem você é. A jornada rumo ao Self (seja você mesmo) Ser fiel a si mesmo não é apenas seguir metas, mas buscar a Individuação . Isso exige que você diferencie quem você realmente é da sua Persona (a máscara social que usamos para agradar aos outros). Quais valores são genuinamente seus e quais foram herdados da família ou da cultura? O que faz sua alma vibrar? Ao lançar luz sobre as partes ...

O despertar da Consciência: do progresso à inteireza

[Escrito em 25 de novembro de 2025] Para muitos de nós, a ideia de mergulhar nas profundezas do próprio ser é, compreensivelmente, aterrorizante. Frequentemente, tentamos circundar nossa alma através de livros, cursos e retiros, buscando no mundo externo - e no intelecto (minha analista chamaria de "cabeção") - ferramentas que prometem "consertar" a vida. Projetamos no conhecimento a esperança de alcançar estados ideais de felicidade, criatividade ou clareza, na tentativa de silenciar o desconforto das nossas angústias. Essa busca pelo desenvolvimento do ego é um passo natural, mas é apenas o início de uma caminhada longa. Ocorre que, inevitavelmente, o sucesso que é linear falha. É nesse momento que os conflitos e as sombras que tentamos evitar emergem com força. A dor emocional e o desespero não são sinais de fracasso, mas sim o chamado do Self para um ajuste de rota. O que falta nessa fórmula de "bem-estar" superficial é o reconhecimento de que a psiq...

O despertar da Alma: do complexo à individuação

[Escrito em 25 de novembro de 2025] É chegado o momento de desatar os nós que prendem a libido ao que já passou. O que foi vivido não precisa mais atuar como um mestre tirano; os eventos de antes não devem mais ser a fonte de uma humilhação perene ou de afetos que paralisam o vir-a-ser. Hoje, a jornada convida você a reivindicar sua liberdade psíquica e a buscar a totalidade do Self. A Sombra e os Padrões de Repetição A autossabotagem nada mais é do que a atuação de um complexo autônomo alimentado por traumas e feridas do passado. Ela se manifesta como uma força que parece externa, mas habita a nossa sombra, regida por profecias que o ego, em seu desconhecimento, acaba por realizar. Quando você se antecipa ao fracasso, é preciso perguntar: A qual figura arcaica ou ferida da alma essa voz pertence?   Que aspecto da sua história pessoal cristalizou-se em um padrão autodestrutivo? Ao identificar o "gatilho", você retira a projeção e dá luz à sombra. Esse é o primeiro passo par...

O resgate do Self: além das sombras do passado

[Escrito em 25 de novembro de 2025] Se você reconhece em si a cristalização de um autoconceito negativo, o convite não é apenas para uma análise lógica, mas para uma descida ao mundo interior. É preciso investigar essas imagens: de onde emergem esses fantasmas? Ao olhar para o abismo, você perceberá que o sentimento de insuficiência é, muitas vezes, o eco de mensagens introjetadas  - fragmentos psíquicos que não pertencem à sua essência, mas que foram assimilados como verdades absolutas. Essas mensagens, sejam elas gritos ostensivos ou sussurros dissimulados, formaram complexos que hoje regem sua economia psíquica. Ao aceitar a culpa por eventos que não lhe cabiam, você permitiu que uma base se instalasse em seu solo subjetivo, distanciando o Ego de sua verdadeira orientação no Self . A Jornada Interior e o Enfrentamento da Sombra Para o autocrítico, a cura reside em uma " viagem mítica " ao passado. Não para buscar culpados, mas para identificar as figuras de autoridade - p...

O resgate das Sombras: revisitando a história pessoal

[Escrito em 25 de novembro de 2025] Revisitar o passado não é um exercício de martírio nas memórias traumáticas, mas uma jornada de descida ao inconsciente . Reestruturar a própria história é, em essência, o esforço de transmutar a dor no ouro da consciência, permitindo que o indivíduo corrija as distorções de um autoconceito forjado no calor das projeções alheias. A Limitação do Olhar de Outrora Naquele momento, o seu Ego ainda estava em formação, limitado pelo nível de consciência da época. Você não possuía o repertório psíquico necessário para discernir entre o que era seu e o que pertencia ao ambiente ou à sombra de seus cuidadores. Seus olhos e ouvidos captaram a realidade através de um filtro turvo, incapaz de perceber a totalidade do fenômeno. A Criança e o Complexo É natural que, sob o olhar da criança, a psique tenha tentado dar sentido ao caos através de significados negativos. Eventos que eram apenas reflexos das neuroses de terceiros acabaram se cristalizando como complexo...

O despertar da Alma: para além dos complexos do passado

[Escrito em 25 de novembro de 2025] Quando o passado nos ancora em águas estagnadas, não estamos apenas lidando com memórias, mas com complexos autônomos que ainda reivindicam energia psíquica. Essas adaptações, antes necessárias para a sobrevivência, tornam-se hoje máscaras rígidas ou defesas que impedem o fluxo da vida. Ao negarmos o que foi, entregamos nosso poder à Sombra , permitindo que os eventos de ontem ditem o destino de hoje. A aceitação não é resignação passiva, mas um ato de sacrifício do ego . Ao aceitarmos a realidade do que passou, retiramos as projeções depositadas no tempo e promovemos um distanciamento consciente. É nesse espaço que a Metanoia acontece, permitindo que a psique se reorganize em direção à sua totalidade. Do Ressentimento à Individuação Ao perceber que o " Eu " de agora não é a mesma imagem cristalizada no passado, você inicia o movimento de desidentificação. Quando compreendemos que o olhar excessivo para trás é, na verdade, uma regressão d...

O passado como âncora: quando a energia psíquica se perde na sombra

[Escrito em 25 de novembro de 2025] Fixar-se no ontem - especialmente naquilo que nos fere - atua como um dreno em nossa economia psíquica. Quando ruminamos feridas antigas, não estamos apenas lembrando; estamos permitindo que a libido (nossa energia vital) fique presa em complexos carregados de afetos negativos. Esse movimento de retrocesso imobiliza o " vir a ser ", impedindo que a consciência flua em direção ao futuro e à autorrealização. Se o retorno ao passado evoca repetidamente a raiva, a culpa ou o ressentimento, você está diante de uma sombra que clama por atenção, mas que, da forma como é acessada, apenas calcifica o sofrimento. Em vez de transformar a dor em ouro (o processo alquímico da alma), a mente se perde em um labirinto de ecos que nada criam de novo. A estagnação e o complexo do passado Muitas vezes, percebemos o prejuízo dessa repetição, mas nos sentimos impotentes para interrompê-la. Isso ocorre porque o passado, quando não integrado, torna-se uma forç...