Tudo novo
Novos ciclos, novos começos são sempre muito bons, pois parecem uma folha em branco. Aquela agenda nova. Ou aquele caderno com todas as folhas em branco, prontas para serem escritas. Um caderno pronto pra virar diário.
De um lado, tem o entusiasmo de tudo branquinho para poder iniciar. Seja uma escrita, uma pintura, um recorte, o que desejar fazer, ali, naquele espaço, naquela possibilidade mil. E, por outro, o incômodo das múltiplas possibilidades. A incerteza, a angústia de não-ter-o-que-fazer. Quem que diz o que eu tenho que fazer aqui? Assim é a vida. As possibilidades de escolhas. O não-gabarito. A voz interna - tão difícil de ser ouvida - que dirá o que fazer.
Toda nova possibilidade de caminho, na vida, começa quando você está de frente para aquilo que tem que iniciar. Para o seu caderno, em branco, novo. Caderno pode ser qualquer coisa. Até uma relação, ou um lugar.
O que fazer com estes sentimentos contraditórios? O que vai definir a sua primeira ação? A paralisação é também uma forma de agir. Pode levar à reflexão. Ao sentir antes de agir. Ao pensar antes de andar.
O tentar, o iniciar e o experimentar fazem parte das possibilidades que teremos e é ali que deixaremos fluir as coisas. Primeiro, sempre, do lado de dentro.
Uma das principais angústias do consultório é a multiplicidade de desejos dos pacientes, mas não ter a certeza sobre qual o desejo, ou qual o caminho a seguir, ou o que realmente gosta de fazer.
Pode parecer simples. Mas nem sempre é. É um caminho do lado de dentro bastante desconhecido. E, muitas vezes, sombrio. Ouvir essa voz interna não é fácil.
Nossas escolhas em geral, são moldadas por padrões externos (pai, mãe, trabalho). E, muitas vezes, repetimos as escolhas de outros, sem nem pensar, e que não diz respeito a nossos valores, a quem somos, e aí, ficamos perdidos. Para onde?
Para viver uma vida plena e consciente é importante viajar para o lado de dentro, é descobrir-se. E este "descobrimento-de-si" produz um fator importante na nossa vida: autoconfiança e coragem. Para lidar conosco e com o mundo do lado de fora.
Quando não temos a consciência para o lado de dentro, qualquer caminho (para o lado de fora) acaba servindo. Muitas vezes, decidimos com base no medo. Medo de não achar algo melhor, medo do que vão pensar das nossas ações e atitudes, medo do insucesso e medo da mudança. E como seria a vida se a gente não se paralisasse pelo medo?
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