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Mostrando postagens de março, 2026

O silêncio e o verbo

O silêncio, em geral, nosso e do outro, é bastante protetor. A gente se protege no silêncio. Por outro lado, em algumas situações, é preciso que nos coloquemos, que falemos, que seja verbalizado (em verbo mesmo), para que não adoeçamos, e nem para que alguém nos engula. Ou seja: tanto as palavras quanto o silêncio são essenciais no nosso dia-a-dia. Cabe a cada um de nós saber a hora de um e a hora do outro. O silêncio pode até ser lido como o "sair". A hora de estar e a hora de ir. É preciso silenciar quando estamos com o outro que não ouve, que não recebe (ou não quer), que não aprende, que não troca. Aquelas pessoas que expõem os seus pensamentos de forma ríspida, agressiva, como "donos do mundo", ou "donos do outro", merecem o nosso silêncio. Pessoas que sabem tudo e demais sobre o mundo, sobre as coisas, sobre as pessoas, não abrem o espaço para a troca. Para estas, o nosso silêncio. No entanto, é importante falar quando os nossos limites são ultrapass...

A vida perdeu o sentido porque deixamos de sentir

Nós nos orgulhamos da nossa racionalidade. Acreditamos que o ápice da evolução humana é o intelecto, essa máquina poderosa capaz de criar aviões, moedas e diagnósticos precisos. O   p ensamento   é, de fato, uma função brilhante da mente: ele organiza, analisa e constrói. O problema começa quando transformamos o pensamento em um tirano. Na Psicologia Junguiana, dizemos que o equilíbrio psíquico depende de quatro funções: Pensamento, Sentimento, Sensação e Intuição. Mas a nossa cultura nos ensina a hipertrofiar o pensar e atrofiar o  se ntir . O Pensamento que nos Aprisiona Muitas vezes, o que chamamos de " pensar " não é mais uma função criativa, mas sim uma  ruminação . É a mente girando, presa em um labirinto de " e se? " e preocupações. Tentamos antecipar desastres para nos sentirmos seguros, mas o preço dessa " segurança " é o esgotamento. Sabe aquela frase:  "Pensar no pior é melhor, porque o que vier é lucro" ? Isso é uma armadilha da consc...

Ansiedade: um chamado do seu mundo interior

Sentir-se ansioso é, antes de tudo, uma reação natural da nossa psique e do nosso corpo. Na visão junguiana, a ansiedade não é uma inimiga ou uma doença, mas sim um sinal de alerta . É como se uma parte de você que está no " escuro " (o seu inconsciente) estivesse tentando enviar uma mensagem urgente para a sua consciência. Essa sensação surge quando algo - seja no mundo externo (relacionamentos, trabalho, família, ambiente em que vive) ou no interno (pensamentos, sentimentos, sensações e memórias) - retira você do seu eixo de equilíbrio. Cada pessoa vive isso de forma única, pois a ansiedade fala a língua da sua história pessoal. O "Lutador" em alerta A ansiedade é uma resposta de sobrevivência, o famoso mecanismo de " luta ou fuga ". Mas, no mundo moderno, raramente enfrentamos leões reais; nossos " leões " são as incertezas e os medos do futuro. Tentar eliminar a ansiedade por completo seria como tentar apagar uma parte da sua própria natureza...

O equilíbrio no furacão: como encontrar o seu centro

Todos nós enfrentamos dias em que a vida parece um mar revolto. Pressão no trabalho, ruídos nos relacionamentos ou sustos com a saúde nos fazem sentir que perdemos o chão. Nessas horas, é comum sermos invadidos por uma sensação de impotência. O que realmente buscamos, no fundo, não é apenas que o problema desapareça, mas sim a capacidade da gente de atravessá-lo sem nos perdermos de nós mesmos. Manter a serenidade quando tudo ao redor parece caótico é um desafio, mas é também uma oportunidade de autoconhecimento. Veja como você pode exercitar esse olhar: 1. Dê um passo atrás (seja o observador) Quando estamos " dentro " do problema, as emoções nos cegam. Se puder se afastar fisicamente por um momento, faça isso. Mas o exercício mais poderoso é o distanciamento interno . Imagine que sua vida é um filme e você, por um instante, sentou na poltrona do cinema para assistir à cena. Ao olhar de fora, você deixa de ser " a vítima da situação " para se tornar o observador do...

O despertar da Consciência: integrando a Luz e a Sombra no cotidiano

É inerente à jornada humana atravessar períodos de retração e pessimismo. Muitas vezes, nos vemos capturados pelo arquétipo da vítima ou paralisados por uma visão unilateral que enxerga apenas o " sombrio " da existência. Quando o ego se perde em pensamentos destrutivos, a psique projeta no mundo externo o deserto que sente internamente, estreitando nossa percepção e nos afastando da totalidade. Abaixo, seguem alguns exercícios de consciência para cultivar uma atitude simbólica e integradora diante da vida. Recomendo que dedique-se a um de cada vez, permitindo que a nova atitude dialogue com seu inconsciente, até que ela se torne um novo eixo de sustentação. O objetivo não é que um " otimismo cego " domine você, mas que a função transcendente atue, permitindo que a consciência e os conteúdos inconscientes trabalhem juntos na busca por um sentido maior. 1. Cultive a auto indagação reflexiva O diálogo interno é a base da autoconsciência. Quando fazemos perguntas a pa...

O caminho de volta ao Centro: diálogo com a Alma e integração

[Escrito em 25 de novembro de 2025] A jornada humana é atravessada por momentos de desorientação, onde somos confrontados por conteúdos do inconsciente que emergem com muita força. Quando nos vemos tomados por afetos intensos e angústias persistentes, não estamos apenas diante de um " problema ", mas sim de um estado de dissociação temporária , onde o Ego perde sua ancoragem no Self (o centro da totalidade psíquica). Abaixo, como se manifesta essa queda no abismo interior: A Constelação dos Complexos e a Sombra A invasão das personificações :  você se sente habitado por vozes críticas e persistentes - são os complexos autônomos que assumem a regência da consciência, gerando um estado de ansiedade que paralisa o fluxo vital. O Ego dominado pela Sombra :  há uma sensação de ser " possuído " por estados de humor e impulsos que você não reconhece como seus. O Ego torna-se um espectador passivo de sua própria queda, sentindo-se um hospedeiro de afetos arcaicos. A noite ...

O movimento da Psique: da sobrevivência à Individuação

[Escrito em 25 de novembro de 2025] Para a psicologia analítica, a " hierarquia " de Maslow não descreve necessidades estáticas, mas sim o terreno sobre o qual o Ego caminha. Não se trata de uma linha de chegada, mas de um processo contínuo e constante de confronto e integração entre o consciente e o inconsciente, do nascimento até o momento em que a vida se encerra. 1. Necessidades Fisiológicas (Maslow) -  O Chão da Psique (Jung) Aqui residem os nossos instintos mais arcaicos. O corpo, para Jung, é o primeiro " lugar " da psique. A satisfação das necessidades básicas (nutrição, abrigo, sono) é o que permite ao Ego ancorar-se na realidade concreta. Sem essa base, a energia psíquica ( libido ) fica dispersa, impossibilitando o trabalho simbólico de autodescoberta. 2. Necessidades de Segurança (Maslow) - A Estruturação do Recipiente (Jung) Uma vez garantida a sobrevivência, surge o impulso de criar um " recipiente " seguro para a existência. Jung diria que ...